Prince, Paris e Bigi Brasil
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junho 26, 2020   2020 , Entrevistas/Prince , Michael Jackson , Prince , Video/Prince

Jacksonology: arquivo de entrevistas com Prince

YOUTUBE • Entrevista
Prince Jackson relembra Michael Jackson em entrevista a Sonia Lowe

O canal Jacksonology: The Interview Archives, no YouTube, está compartilhando uma série de entrevistas realizadas com Prince, Paris e Bigi Jackson como parte de um documentário sobre o pai. Nas entrevistas, eles compartilham memórias de Michael Jackson com a entrevistadora e produtora Sonia Lowe. O material nunca havia sido divulgado ao público antes, exceto por uma breve promoção no Good Morning America, em 2013, para promover o documentário.

Entrevistadora
Sonia Lowe
Canal
Jacksonology: The Interview Archives
“
Pra mim ele era só “papai”, e era isso.
Prince Jackson
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Parte 1
Parte 2
Parte 3
Entrevista
Transcrição
Trecho 01
Primeiras lembranças e infância em Neverland toque para abrir

Pergunta: Quantos anos você tem agora?

Prince: Tenho 15 anos.

Pergunta: Qual é a sua lembrança mais antiga do seu pai?

Prince: Muita gente não acredita quando eu conto isso, mas eu meio que me lembro… não sei se era o dia em que eu nasci, mas lembro de alguns pedaços. Eu me lembro de quando eu era bem pequeno. Tinha um lugar que, assim que você subia as escadas da casa em Neverland, tinha um sofá perto da janela. E eu lembro do meu pai penteando meu cabelo, porque eu nasci com bastante cabelo. Ele ficava penteando meu cabelo com um pente prateado. Como eu disse, logo na entrada da casa tinha uma escada, e ao lado dela havia um sofá branco, em frente a uma janela com vista para o quintal, onde ficavam os lagos e os cisnes negros. O sofá tinha estampas de flores. E eu lembro do meu pai penteando meu cabelo com um pente prateado. Não era uma escova, era um pente pequeno, de metal. Eu me lembro disso claramente. E ele sempre usava uma camisa vermelha de veludo cotelê.

Pergunta: Como era crescer em Neverland?

Prince: É meio difícil lembrar, porque a gente saiu de lá cedo. Eu devia ter uns seis anos quando fomos embora. Mas eu lembro que a gente ia ao zoológico e ao parque de diversões com o nosso pai o tempo todo. Foi em Neverland que eu aprendi a dirigir. Meu pai me ensinou num GMC Yukon XL. No começo, eu só controlava o volante e ele cuidava do acelerador. Aprendi uma das lições mais importantes: nunca fazer curvas em alta velocidade. Depois ele me ensinou a como acelerar nos carrinhos de golfe. Ele sempre me levava para passear de quadriciclo também. A gente subia as montanhas e ficava lá de boa. Ele colocou o nome da minha avó em uma das montanhas, Monte Katherine, e o nome do meu avô em outra, Monte Joseph.

Pergunta: Crescendo num parque de diversões como aquele, você achava que todas as crianças viviam assim?

Prince: Quando eu morava lá, acho que nem pensava muito nisso, porque eu tinha menos de sete anos. Eu nem chegava a pensar se existiam outras pessoas vivendo de outra forma. Pra mim, era só eu, meu irmão, minha irmã, meu pai e as pessoas com quem eu convivia todos os dias. Era como se fosse o meu próprio mundinho. Eu achava que aquele era o mundo inteiro. Era tudo o que eu conhecia.

Pergunta: Como era ter tudo o que você precisava, todos os dias?

Prince: Eu achava que aquilo era normal, sabe? Eu não conhecia outra realidade. Era simplesmente parte da rotina, e você acaba se acostumando.

Trecho 02
Música, tecnologia e influências toque para abrir

Pergunta: E como era o seu pai?

Prince: Meu pai era muito tímido quando estava em grupos pequenos. Tipo, ele se sentia mais à vontade se apresentando para dez mil pessoas ou mais. Ele amava trabalhar com música. Ele estava sempre ouvindo música, porque queria entender o que inspirava os novos artistas. Ele sempre escutava as rádios de hip-hop mais atuais pra saber o que estava acontecendo na música. Aí ele ligava pra alguém… na verdade, ele pedia pra eu ligar, porque não sabia mexer no celular direito. E dizia que queria criar uma batida parecida com aquela. Às vezes, meia-noite, ele me acordava e falava: “A gente precisa fazer uma música”. Eu montava o computador pra ele, e a gente criava alguma coisa. Quer dizer… ele criava, e eu só gravava.

Pergunta: Isso é incrível.

Prince: É.

Pergunta: E quem te ensinou a usar tudo isso?

Prince: Eu aprendi a mexer nos computadores fuçando sozinho. Porque ele não sabia usar computador, celular, essas coisas. Eu mandava mensagens por ele. Ele nem sabia usar o próprio iPhone. No computador, aprendi a usar o GarageBand. Eu estava aprendendo a usar o Logic e, na verdade, ainda estou. No começo, eu conectava um teclado Casio ao computador e ele tocava alguns sons por ali. Isso foi antes de ele montar uma equipe profissional. Depois que ele montou uma equipe, eles passaram a ajudar muito mais. Também aprendi a mexer na mesa de som sozinho, mexendo nos controles, entendendo o que fazia o volume, o ganho e como funcionava cada botão.

Pergunta: Que tipo de música seu pai te apresentou?

Prince: Meu pai me apresentou praticamente tudo que eu conheço de música. Grande parte do que eu escuto hoje é por causa dele. Eu ouço muita música antiga, dos anos 70, e também muita música clássica. Pra ser sincero, muitas músicas clássicas soam parecidas pra mim, mas eu sei que são incríveis. E são ótimas pra dormir. Ele deixava música tocando em Neverland o tempo todo. Era um lugar muito tranquilo. Ele também ouvia muita música de diferentes culturas. Escutava muito James Brown e falava bastante sobre Aretha Franklin e outros artistas que o inspiraram a dançar. Boa parte das músicas que tenho no meu celular foi ele quem me apresentou. (...) Meu pai falava muito sobre o James Brown, porque, quando fazia parte do Jackson 5, ele se inspirava muito nele. Ele assistia às apresentações do James Brown e me contou que observava os movimentos dele, como usava o corpo para dançar. Ele dizia que essa foi uma das principais inspirações para fazer o moonwalk. Sobre outros artistas, ele prestava atenção nas batidas e em como usavam as letras para contar uma história. Ele dizia que música é uma forma de contar histórias, e a dança é uma forma de contar histórias com o corpo. Então ele gostava de juntar essas duas coisas e compartilhar isso com os fãs.

Trecho 03
Michael como pai, viagens e a saída de Neverland toque para abrir

Pergunta: Me conta mais sobre como ele era como pai. Que tipo de pai ele era?

Prince: Ele era muito engraçado. Sempre nos incentivava a continuar aprendendo e nos motivava a dar o nosso melhor. Ele gostava de nos ensinar palavras novas. Lembro de uma delas: "topografia". Ele dizia algo como: "Quem usar essa palavra mais vezes durante o dia ganha um doce." Então ele ensinava a mim, ao meu irmão e à minha irmã várias palavras que normalmente as pessoas não usam muito. Ele tentava ampliar o nosso vocabulário. Ele também abriu nossos olhos para outras culturas, porque respeitava cada cultura individualmente, suas religiões, tradições e tudo o que faziam. Ele incentivava muito a leitura, porque acreditava que isso ajudava a desenvolver a capacidade de contar histórias e de escrever. A gente também assistia a filmes sem som. Primeiro, víamos o filme normalmente, e depois ele desligava o áudio para mostrar como o diretor fazia os cortes entre as cenas, as transições, os fades. Ele também mostrava que um filme de terror não é tão assustador sem a trilha sonora. Você tira o som e não sobra nada de assustador. Ele nos ensinou muito sobre isso. Quando contei que queria trabalhar com direção de cinema, ele contratou um professor de cinema da USC, eu acho. A gente começou a estudar e fez vários vídeos legais. Ele nos apoiava em tudo o que queríamos fazer.

Pergunta: Uau, parece que ele era um ótimo pai. E vocês viajavam muito...

Prince: Sim. Sempre que podia, ele nos levava junto nas viagens de trabalho.

Pergunta: Me conta sobre quando vocês saíram de Neverland…

Prince: Neverland era o único lar que a gente conhecia. E, sinceramente, talvez seja o único lugar que eu realmente considere como lar até hoje. Era o meu mundo inteiro. Eu estava acostumado com aquilo. Eu não sabia por que fomos embora. Algumas pessoas me contaram coisas ao longo do tempo, mas eu só ouço quando vem de amigos mais próximos que meu pai manteve por perto. Eles foram me explicando aos poucos, mas, naquela época, eu não entendia o que estava acontecendo. Eu achava que a gente estava saindo de férias e que logo voltaria.

A única coisa que eu não gostava era da viagem de carro, porque eu enjoava muito quando era pequeno. Eu odiava andar de carro. Eu dormi a viagem inteira e nem sabia para onde estávamos indo. Na verdade, nem me lembro direito para onde fomos depois de Neverland.

Mas eu adorava viajar com ele. Viajar de avião era algo comum pra mim, e eu amava isso. Era muito divertido. Tenho ótimas lembranças do Bahrein, porque ele adorava calor, e eu também. Mas lá é tão úmido que os óculos dele embaçavam em poucos segundos quando a gente saía. Por isso, a gente costumava passear mais à noite. À noite fazia uns 27 graus. Eu me lembro de que, todas as noites, a gente subia no terraço para olhar o céu. Ele me dava um Snickers e uma Coca-Cola, e aquilo virou um ritual nosso. Até hoje eu gosto de olhar para o céu à noite.

Trecho 04
Universo, fé e negócios toque para abrir

Pergunta: O que ele te ensinava nesses momentos?

Prince: Ele me falava sobre o universo, sobre como ele está em constante expansão. Acho que ele tinha um lado bem filosófico. Ele acreditava em uma força superior. Acreditava em Jeová, ou em Deus, independentemente da religião de cada pessoa. Mas ele não se prendia muito às regras religiosas do tipo "você pode fazer isso" ou "você não pode fazer aquilo". Ele respeitava todas as religiões. Ele acreditava que existia algo maior. Dizia que o universo está sempre se expandindo e que cada uma daquelas estrelas é tão grande quanto o nosso Sol, ou até maior. Ele falava que não fazia sentido sermos o único planeta com vida. Não sei se ele estava falando sobre alienígenas. Acho que ele queria mostrar o quão imenso é o universo. Ele também falava sobre como o mundo é bonito e se perguntava quem poderia ter criado algo tão incrível. Por isso, a gente conversava muito sobre Deus. Ele se encantava com tudo. Adorava flamingos, por exemplo. Ele amava flamingos cor-de-rosa.

Pergunta: E o que você acha que tudo isso significava?

Prince: Na época, eu não entendia muito bem o que ele queria dizer. Às vezes eu achava que ele era muito emotivo e até meio obcecado quando falava dessas coisas. Mas hoje eu começo a entender. Agora eu também gosto de olhar para as estrelas. Em noites de céu limpo, você começa a pensar no que mais existe por aí, por que as estrelas parecem tão nítidas. Da varanda da minha casa, eu tenho uma vista linda do céu. Consigo acompanhar as fases da Lua. É um lugar muito bom para refletir. Meu pai costumava pensar em negócios nesses momentos comigo. A gente ficava ali, olhando o céu, comendo Snickers e tomando Coca-Cola, porque ele adorava Snickers e eu também.

Pergunta: O que ele te ensinou sobre negócios?

Prince: Ele me ensinou bastante sobre ações, sobre como você pode ter uma parte de uma empresa. Mas também dizia para tomar cuidado, porque as ações podem cair e sua renda pode cair junto. Ele me inspirou a estudar economia e a me dedicar a qualquer área de negócios que eu escolhesse. Ele sempre dizia para ficar atento às pessoas, aprender como as coisas funcionam e entender os truques do mercado. Ele falava: aprenda o seu ofício e seja muito bom no que faz.

Trecho 05
Mídia e a imagem pública de Michael toque para abrir

Pergunta: Ele te ensinou alguma coisa sobre a mídia?

Prince: Ele dizia que a mídia inventou muita coisa sobre ele, e ainda inventa. Às vezes isso quase o fazia chorar. Pessoalmente, eu acho que muitas dessas coisas são falsas e ignorantes. Na maior parte do tempo, ele ignorava tudo isso. Mas, às vezes, era difícil, porque aquilo afetava a imagem pública dele. No fim das contas, muita coisa acabou sendo desmentida. Ele sempre me dizia que a mídia pode distorcer as suas palavras, então eu precisava ter cuidado com o que dizia. Até hoje, eu não confio muito em paparazzi, repórteres ou pessoas desse meio. E algumas pessoas que falavam mal dele na época do julgamento depois se aproximaram da família e tentaram agir como amigas. Eu simplesmente não entendo esse tipo de atitude.

Pergunta: Você parece saber bastante sobre tudo o que aconteceu com seu pai. Como se sente quando ouve coisas negativas sobre ele?

Prince: Isso me deixa bravo, mas meu pai sempre dizia: "pague o mal com o bem". Só que, sinceramente, eu não sei muito bem como fazer isso. Eu tento ignorar, porque sei que a maioria dessas pessoas não o conheceu de verdade. Eu não gosto de julgar alguém sem conhecer. Quer dizer... todo mundo faz julgamentos sobre os outros, mas eu prefiro não expressar uma opinião até conhecer a pessoa de verdade. E, mesmo depois disso, eu provavelmente não falaria mal dela. Eu só apontaria os defeitos e tentaria pensar em como ela poderia melhorar. Mas muitas das coisas que falam sobre o meu pai simplesmente não são verdade.

Pergunta: Se as pessoas tivessem conhecido o seu pai de verdade, o que achariam dele?

Prince: Eu não sei. Também não sei mais como as pessoas pensam. Como filho dele, é natural que eu o defenda e é isso que eu faço. Mas acho que, se o mundo inteiro tivesse a chance de conhecê-lo de verdade, veria uma pessoa completamente diferente. Ele não era arrogante nem convencido. Ele se via como uma pessoa normal.

Pergunta: Mas ele era a pessoa mais famosa do mundo…

Prince: Mesmo assim, ele acreditava que tinha recebido um dom. Nas orações antes do jantar, ele sempre agradecia aos meus avós por tudo o que fizeram por ele. E também agradecia a Deus, porque acreditava que Deus tinha lhe dado esse dom.

Trecho 06
A música de Michael e a descoberta da fama do pai toque para abrir

(...)

Prince: A música do meu pai pra mim é… e assim, sabe… todo mundo tem sua opinião, mas pra mim ninguém superou a música dele e eu acho que ninguém vai superar, porque aquilo ali é tipo uma música imortal.

Pergunta: Quando você via seu pai se apresentando em vídeos e coisas assim, o que passava na sua cabeça?

Quando eu era pequeno, quando eu via meu pai se apresentando, eu só ficava me perguntando por que todo mundo idolatrava ele e ficava gritando por ele enquanto ele cantava. Eu achava que todo mundo fazia. Porque, sabe, as pessoas cantam no banho o tempo todo… então eu pensava: “por que todo mundo tá gritando por ele?” E quando fui crescendo, eu ainda ficava pensando no que fazia dele o mais famoso entre todos os cantores. E eu acredito que foi a forma como ele escrevia as músicas, as letras, coisas com que as pessoas realmente se identificavam. E também a forma como ele dançava, era algo que ninguém nunca tinha visto antes. Então agora eu entendo por que as pessoas o admiravam tanto.

Pergunta: Você se encanta tanto com o talento dele quanto o resto do mundo?

Prince: Eu acho que até mais, porque eu nunca imaginei… acho que todo mundo já sabia quem ele era antes de mim. Quando eu descobri, eu fiquei mais surpreso e mais impressionado do que qualquer outra pessoa.

Pergunta: Vamos falar sobre isso. A primeira vez que você descobriu que seu pai era famoso.

Prince: Eu não sei exatamente como foi, porque eu achava que as pessoas eram meio “loucas”. Toda vez que a gente saía, as pessoas vinham pra cima dele, eu ficava espremido no meio da multidão e até os seguranças e a polícia tinham dificuldade de conter. Eu não entendia o que estava acontecendo. Mas acho que fui percebendo quando comecei a usar o computador… porque eu tinha que ajudar com os e-mails dele e tudo mais. E conforme fui ajudando mais na parte dos negócios, comecei a perceber que ele aparecia muito na TV, falavam dele no jornal, no YouTube os vídeos dele estavam sempre entre os mais vistos, tudo era sobre ele. Ele nunca realmente quis nos dizer quem ele era como “celebridade”. Eu só fui entender que ele era o Michael Jackson quando eu tinha uns seis anos. Pra mim ele era só “papai”, e era isso.

Pergunta: Você lembra de ter conversado com ele quando descobriu isso?

Prince: Não, a gente nunca chegou a ter uma conversa direta sobre isso. Eu acho que eu fui juntando as peças sozinho. Não foi tipo um “descobri que ele era famoso”, eu só fui entendendo com o tempo. Você vê filmes, vê TV… e começa a perceber que ele era famoso e que todo mundo o “idolatrava”. Mas eu perguntei uma vez por que ele nunca tinha nos contado isso de forma direta. Ele disse que era porque ele era só uma pessoa normal e queria que a gente o visse só como “pai”. E também porque ele não queria que isso mudasse quem a gente era. Ele dizia que a gente tinha que ser sempre humilde. E ele era assim. E é isso que eu tento ser por causa dele.

Pergunta: Mas você passou a vê-lo de forma diferente depois disso?

Prince: Não. Ele continuava sendo meu pai pra mim. Quer dizer… eu nunca tinha visto ele se apresentar nem nada assim. E acho que, mesmo se eu tivesse visto, isso não teria mudado nada. Eu ia com ele em tudo que eu podia. Eu vi ele se apresentar e mesmo assim continuava vendo ele do mesmo jeito. Nada realmente mudou.

Trecho 07
Máscaras, multidões, estúdio e a rotina de trabalho toque para abrir

Pergunta: Quando vocês saíam juntos… e ele dava máscaras pra vocês usarem… o que ele te explicava sobre isso?

Prince: Eu achava que aquilo era meio exagerado no começo. Mas depois, quando a gente se mudou pra Las Vegas e ficou um tempo lá, ele dizia que as máscaras eram pra nossa proteção. Eu não entendia muito bem na época, mas depois percebi que era porque, quando a gente estava com ele, as pessoas reconheciam ele, mas não viam a gente. Então a gente podia sair normalmente. A gente ia em lugares como o Circus Circus, com os seguranças, e ninguém reconhecia a gente porque estávamos de máscara. E isso fazia sentido depois, quando ele dizia que era pra proteger a gente.

Pergunta: Quando vocês estavam com ele, as pessoas ficavam em completo desespero. O que você pensava disso?

Prince: Quando eu era pequeno, eu achava que as pessoas eram meio loucas. A gente ia muito pro Reino Unido, e lá ele tinha uma base de fãs enorme. Era o lugar mais caótico que eu já vi. As pessoas se amontoavam em cima dele, e eu acabava sendo pisado também porque ninguém me via. E era estranho porque eles chegavam a parar o trânsito pra tentar alcançar a limusine.

Pergunta: Ele nunca te explicou isso?

Prince: Eu acho que eu meio que já entendia, porque eu ouvia a música dele o tempo todo quando era pequeno. Eu via ele dançando, via ele trabalhando nas músicas. Eu lembro de estar no estúdio quando ele estava gravando o álbum Invincible. Eu lembro de dormir e acordar várias vezes com a mesma música tocando. Não lembro o nome exato da música, mas lembro disso. Eu costumava dormir no sofá de couro do estúdio… e até hoje eu acho sofá de couro confortável por causa disso. E ficar em estúdio com som alto virou algo normal pra mim.

Pergunta: Como ele era trabalhando? Ele trabalhava o dia todo? A qualquer hora?

Prince: Quando a gente nasceu, acho que ele desacelerou um pouco, mas ele nunca parou de trabalhar. Ele sempre dizia que você nunca para de aprender e deve estar sempre em movimento, fazendo coisas. Ele estava sempre lendo, sempre no telefone, sempre planejando coisas. Ele tinha muitos projetos. Ele estava tentando nos incluir em algumas coisas também. Ele trabalhava bastante com música, eu ajudava nisso. Ele fez aquele comercial com os “lagartos de Thriller”, e tinha vários outros planos também. Algumas coisas foram adiadas por causa da turnê, mas ele não parava completamente. Antes de tudo ficar oficial, eu ajudava ele em várias coisas. Eu passava muito tempo com ele. Ele me acordava dizendo que a gente precisava gravar alguma coisa. Ele também amava fotografia. Ele tirava fotos nossas pensando na luz, e quando gostava de um tipo de iluminação, ele tentava recriar aquilo em casa só pra tirar a foto de novo.

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